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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Bacanais entre o céu e o inferno


 Deixa eu contar uma história, ainda sobre o canal Arte 1 da Band. Dia desses eles colocaram um link com a entrevista na rede social Facebook, a foto que ilustra o vídeo é "Bacanais entre o céu e o inferno".
Para eu falar desse desenho que cito acima, eu primeiro preciso falar do começo de tudo. Eu acompanhei dois amigos na produção de uma das primeiras revistas de arte eletrônica do Brasil a : 2die4.
Amarilio e a Vanessa me estimulam a apresentar alguns trabalhos. Os desenhos vão nascendo ali junto com a  revista, os primeiros trabalhos são mais simples, bem tosquinhos, mas com identidade e eu levo isso para essa obra "Bacanais entre o céu e o inferno". Ao mesmo tempo em que os personagens são apresentados de forma simples, os bordados completam a cena do bacanal fazendo aquilo algo um pouco mais complexo. E vou bordando para trazer minhas referências maternas para o presente.
Bacanais entre o céu e o inferno aparece como um reflexo do nosso tempo, posso ir um pouco além e falar sobre a promiscuidade entre a religião e a política, ou ainda um descompasso entre o que é pregado pelo cristianismo e a realidade, que não caminham juntas, levando em conta que o respeito ao próximo, respeito as diferenças de gênero, sexualidade, classe, extorsão pela fé, violência sexual dentro da igreja são aspectos que destoam da moral cristã.  Há muitas divergências nesse campo, então a promiscuidade do desenho, é sobre uma promiscuidade ideológica. Entre o céu, que é o ideal proposto pelas religões e o inferno que são os pecados dos homens. O desenho vai um pouco além do sexo, o sexo ali, é só um artíficio da moralidade, e de fato funciona, faz-se olhar, mas não se faz ver. O conservadorismo não nos dá clarividência...nosso olhos seguem na noite escura das opiniões...porque ninguém veio me perguntar o que eu estava dizenda ali.
Meus demônios sexuais, são demônios sociais, mesmo quando há sexo envolvido nas imagens apresentadas, já que estamos cada vez menos livres e cada mais cristãos, não faz sentido o nosso tempo, e o desenho é sobre isso.
Há duas coisas que não andam dialogando no nível da racionalidade. O meu desenho tenta dialogar com alguma razão, que pode sim caminhar com a espiritualidade, já que é imprenscidível entender as escrituras, e as entrelinhas da vida em sociedade.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Arte 1 - Mea Culpa


Ontem eu dei uma entrevista para um canal de tv, vamos torcer pelos editores. Quando tenho que falar sobre o que eu faco é inacreditável minha inabilidade, o rapaz me disse que eu poderia repetir, mas eu não consegui por timidez, e ele não conseguiu, daí já não sei o por quê, logo eu que gosto do modo como as coisas são ditas, me interessa, mas não posso fazer sozinha em algo que eu nem sei como.
A cada pergunta eu entrava em túnel vertiginoso, e tudo se misturava e desaparecia. Segundo  Hilda Hilst, no livro de entrevistas, Fico Besta Quando Me Entendem, qualquer idiota pode ser espontâneo, eu fui espontânea, logo me tornei uma idiota.
Uma pergunta simples e eu não consegui responder, ou melhor, respondi da forma mais simples que podia, porque tudo o que já vi na vida, desapareceu.
Quais as suas inspirações, referências?
Eu tenho um vasto mundo de inspirações e só pude dizer que gosto muito de Ana Tereza Barbosa, a rainha do bordado...Rainha do bordado, por quê reduzir alguém que de certa forma, revitaliza essa técnica de bordado + bastidor para compor uma série, inspirando uma nova leva de artistas,  e eu  a reduzo a rainha, eu a considero muito mais do quê uma rainha, porque ela está muito além da sorte de nascer em berço esplêndido.
Uma grande artista e bordadeira, tem que dedicar-se para fazer o que ela faz, sendo refêrência mundial para outras artistas e bordadeiras  contemporâneas. A questão em si, é minha vulgaridade oral, misturada a um embaraço que me faz fugir de mim mesma diante os outros. Uma pena, podia ter sido ótimo, mas sou espontânea demais para entrevistas.