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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

do corpo feminino cerceado ( mata atlântica/imigrantes)

da série do corpo feminino cerceado, de casa sonhando com a mata atlântica, descendo a serra do mar e indo de encontro com meus passarinhos. bordado #2

do corpo feminino cerceado ( do gosto ou a natureza da língua)



Postei fora de ordem, mas desta série ' o corpo feminino cerceado' o bordado #3.detalhe bordado feito a mão

Delírio


 Delírio nasce de um rabisco antigo e que de certa maneira vem de um incomodo a respeito das aparências que queremos e que não podemos. Muito do que se quer, tem mais a ver com um ideal das mídias e a gente pode até pretender muitas personas, mas dentro desse mundo real, essa metamorfose que alguns artistas criam na expressão e que nos seduz, não no cotidiano, gera frustrações por expectativas irreais e milionárias. A indústria da beleza é um campo de lutas sobre nossos corpos. Tudo muito óbvio, tudo muito capaz de nos adoecer. 

do corpo feminino cerceado ( banho de cachoeira)

Banho de cachoeira

Da tetralogia que começa com o bordado Socorro, um bordado de cachoeira para levar e lavar as coisas ruins que esse país anda vendo e ouvindo. 
Da série do corpo feminino cerceado bordado #4

sexta-feira, 22 de março de 2019

Hometeka autoral

Alguns dos meus bordados estão disponíveis no projeto Hometeka Autoral, quem segue meu trabalho e gostaria de poder ter algum é só entrar no site. Ou falar comigo, claro.
O projeto privilegia também outros artistas brasileiros bem legais. É sempre importante valorizar nossa arte.
https://www.hometeka.com.br/loja/acepipes

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Senhores não lhes devo obediência


Que momento delicado esse em que estamos vivendo. Como podemos pensar em trocar a democracia pelo fascismo?
Há tensão no ar.
Esse desenho faz parte da minha série "Derrelição", que estava trabalhando como no original,  mas abri possibilidades por causa do nosso período político e eleitoral, domingo teremos eleições presidenciais e outros cargos de grande relevância para nossos próximos quatro anos.
Que o Brasil se lembre de suas cores, e que estas não se restringem ao verde e amarelo. Somos coloridos demais para o mundo que se apresenta ao som em tentativa de marcha fúnebre.






sexta-feira, 30 de março de 2018

o ano tem 525.600 minutos

E a gente vai entendo cedo que lugar ocupar.
1985, a notícia que corria na rua onde morava é que havia uma moça morta, movida mais por curiosidade do que morbidez, fui até lá ver. Fui muitas vezes enquanto não ensacavam o cadáver. Era um assobradado de fundos, haviam desistido de terminá-lo, abandonado, paredes escuras. No que supostamente seria o quarto dos fundos, uma janela para o quinta lá embaixo. O desenho da casa se parecia com a minha. A nossa sala estava no mesmo nível da rua, havia um quintal embaixo da casa. O quarto com horizonte, hoje, passados quase 35 anos já não posso me lembrar. Talvez ali não havia um horizonte a ser lembrado...nem para nós, nem para ela.
Ela estava nua sobre uma grama alta, com as pernas de lado, parecia dormir, essa imagem ficou por muito tempo no meu inconsciente, foi voltando devagar. Hoje é uma memória bem triste, infelizmente não sabemos nada sobre aquela moça com belo corpo que repousava sobre o mato alto. Eu já a imaginei muitas vezes caminhando pela rua, não consigo pensar no agressor, só penso na liberdade que ela tinha. Tinha?
Segundo o anuário Brasileiro de Segurança Pública, apenas 30% ou 35% dos casos de estupro são notificados , estima-se que no Brasil aconteça um estupro por minuto.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Beija-flor-do-papo-branco na flor de Ypê

Meu sobrinho mais velho se casou neste fim de semana, quis fazer um presente para eles, pensei em algo leve e que pudesse abrir seus olhos para fora. Eu sempre acho que a arte nos fazer as coisas. Então, bordei esse beija-flor para ele olhar a beleza da natureza. Meu sobrinho é um pouco bruto, mas um bom rapaz.
Desejo aos noivos paciência e sabedoria. Talvez deseje a mim também...

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Bacanais entre o céu e o inferno


 Deixa eu contar uma história, ainda sobre o canal Arte 1 da Band. Dia desses eles colocaram um link com a entrevista na rede social Facebook, a foto que ilustra o vídeo é "Bacanais entre o céu e o inferno".
Para eu falar desse desenho que cito acima, eu primeiro preciso falar do começo de tudo. Eu acompanhei dois amigos na produção de uma das primeiras revistas de arte eletrônica do Brasil a : 2die4.
Amarilio e a Vanessa me estimulam a apresentar alguns trabalhos. Os desenhos vão nascendo ali junto com a  revista, os primeiros trabalhos são mais simples, bem tosquinhos, mas com identidade e eu levo isso para essa obra "Bacanais entre o céu e o inferno". Ao mesmo tempo em que os personagens são apresentados de forma simples, os bordados completam a cena do bacanal fazendo aquilo algo um pouco mais complexo. E vou bordando para trazer minhas referências maternas para o presente.
Bacanais entre o céu e o inferno aparece como um reflexo do nosso tempo, posso ir um pouco além e falar sobre a promiscuidade entre a religião e a política, ou ainda um descompasso entre o que é pregado pelo cristianismo e a realidade, que não caminham juntas, levando em conta que o respeito ao próximo, respeito as diferenças de gênero, sexualidade, classe, extorsão pela fé, violência sexual dentro da igreja são aspectos que destoam da moral cristã.  Há muitas divergências nesse campo, então a promiscuidade do desenho, é sobre uma promiscuidade ideológica. Entre o céu, que é o ideal proposto pelas religões e o inferno que são os pecados dos homens. O desenho vai um pouco além do sexo, o sexo ali, é só um artíficio da moralidade, e de fato funciona, faz-se olhar, mas não se faz ver. O conservadorismo não nos dá clarividência...nosso olhos seguem na noite escura das opiniões...porque ninguém veio me perguntar o que eu estava dizenda ali.
Meus demônios sexuais, são demônios sociais, mesmo quando há sexo envolvido nas imagens apresentadas, já que estamos cada vez menos livres e cada mais cristãos, não faz sentido o nosso tempo, e o desenho é sobre isso.
Há duas coisas que não andam dialogando no nível da racionalidade. O meu desenho tenta dialogar com alguma razão, que pode sim caminhar com a espiritualidade, já que é imprenscidível entender as escrituras, e as entrelinhas da vida em sociedade.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A sereia e o mergulhador

Essa sereia foi uma encomenda que fiz há alguns meses para a querida Natália da minha cidade Natal, porque em Oz, também tem sereias e ruivas.
Para quem quiser ver os trabalhos atualizados, entra no meu instagram.

Acepipes de Lourenço

Arte 1 - Mea Culpa


Ontem eu dei uma entrevista para um canal de tv, vamos torcer pelos editores. Quando tenho que falar sobre o que eu faco é inacreditável minha inabilidade, o rapaz me disse que eu poderia repetir, mas eu não consegui por timidez, e ele não conseguiu, daí já não sei o por quê, logo eu que gosto do modo como as coisas são ditas, me interessa, mas não posso fazer sozinha em algo que eu nem sei como.
A cada pergunta eu entrava em túnel vertiginoso, e tudo se misturava e desaparecia. Segundo  Hilda Hilst, no livro de entrevistas, Fico Besta Quando Me Entendem, qualquer idiota pode ser espontâneo, eu fui espontânea, logo me tornei uma idiota.
Uma pergunta simples e eu não consegui responder, ou melhor, respondi da forma mais simples que podia, porque tudo o que já vi na vida, desapareceu.
Quais as suas inspirações, referências?
Eu tenho um vasto mundo de inspirações e só pude dizer que gosto muito de Ana Tereza Barbosa, a rainha do bordado...Rainha do bordado, por quê reduzir alguém que de certa forma, revitaliza essa técnica de bordado + bastidor para compor uma série, inspirando uma nova leva de artistas,  e eu  a reduzo a rainha, eu a considero muito mais do quê uma rainha, porque ela está muito além da sorte de nascer em berço esplêndido.
Uma grande artista e bordadeira, tem que dedicar-se para fazer o que ela faz, sendo refêrência mundial para outras artistas e bordadeiras  contemporâneas. A questão em si, é minha vulgaridade oral, misturada a um embaraço que me faz fugir de mim mesma diante os outros. Uma pena, podia ter sido ótimo, mas sou espontânea demais para entrevistas.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Memória - Bordado sobre lenço


O passado não é algo imutável, se transforma a cada recontagem da história. Em tempos de exposição excessiva, a memória se reduz a frames desse nosso coração de bolso. Os objetos agora, tem uma função irrelevante nessa memória, uma tal desimportância pelas coisas, a banalização do ter como apreensão de um instante. Se até então nossa história era contada a partir de retalhos e souveniers, neste novo milênio os registros frenéticos tomam esse lugar da afetividade dos objetos. Me proponho a um fio que me conduza as minhas experiências/vivências. Ao que meus olhos puderam apreender e como os transformar. O bordado é uma referência materna, e a partir dessas linhas religo essa árvore genealógica que me foi amputada, eles que eram tímidos em trabalhos anteriores, hoje são protagonistas no meu ofício. As linhas são o elo entre o presente e a infância, e repensar o passado nestas imagens recontrói a minha história. Bordado da casa 1/3 No caso esse bordado sobre lenço, é uma referência a tios e avôs. Os meus ou os seus.
http://acepipesdelourenco.blogspot.com.br/2016/06/memorias-bordado-sobre-lenco.html